Já sabemos que a Apple é bem restrita quando se trata da aprovação de programas que rodam no iPhone e iPod Touch, mas vez ou outra eles relaxam e deixam alguns passarem. Nunca foi permitido, porém, fazer aplicativos que rodam no background desses dispositivos. Quer dizer, os desenvolvedores até poderiam escrever o código, compilar e enviar para a AppStore, mas o aplicativo ficaria barrado na porta como um guri de 10 anos na frenta de uma boate.
Entretanto, Steve Jobs não parece se importar muito com a possibilidade de aplicativos gerenciarem a memória. Aliás, aposto que muitos deles fazem esse gerenciamento, mas dentro do próprio programa, diferente do Free Memory que é como uma porta aberta para a memória runtime do iPhone ou iPod touch. Literalmente.
Ele mostra, além da quantidade de memória livre disponível em tempo real, quais processos estão atualmente rodando, qual número de identificação de cada um deles, o nível da bateria e ainda oferece a habilidade de liberar 20MB de memória instantaneamente, pra não contradizar o nome do próprio programa. O limite para liberação é de 20 MB e quando menos de 4 MB estão disponíveis, ele avisa que liberar a memória pode demorar de 1 a 2 minutos.
E só pra esclarecer: a memória runtime é algo comparável à memória RAM de um computador normal, só que no caso do iPhone e iPod Touch ela esta limitada à 128 MB e que não faz parte da memória flash embudita nos aparelhos. Esse chip está bem separado dos outros usados para armazenamento de dados.

Esclarecendo mais ainda meu aparente vasto conhecimento no assunto, deixo claro: descobri isso por acaso. O aplicativo vem com um texto informativo bem detalhado dizendo que desses 128 MB de memória, apenas 30 a 40 MB são usados para os aplicativos, sendo que o resto fica reservado para processos do sistema. Processos como o de email, ou o discador do iphone, por exemplo, tem permissão para ficar rodando no background. Infelizmente a SDK não permite o gerenciamento de processos.
Então já que liberaram, decidi testar a eficiência do aplicativo. E não só dele, mas de vários que instalei ao longo dos meses de disponibilidade da appstore. Convenhamos que se um aplicativo for bem programado, ele vai fazer bom uso de memória e assim que for fechado, vai liberar o espaço que usou para o próximo. É como limpar um banheiro público logo depois de… ok, sem analogias.
Fiz o seguinte teste: Abri um aplicativo qualquer, fiz alguma coisa nele, mexi um pouco, fechei e imediatamente abri o Free Memory. Claro que antes de abrir cada um dos programas, verifiquei qual era a quantidade de memória livre. E fiz o teste duas vezes com cada programa para chegar numa média consistente. Os resultados foram os seguintes:
Fuzzle – Quantidade usada: 2 MB. Limpa a memória depois de fechado: Não.
Bejeweled 2: Quantidade usada: 4 MB. Limpa a memória depois de fechado: Não.
Tap Tap Revenge: Quantidade usada: 4 MB. Limpa a memória depois de fechado: Não.
Stocks: Quantidade usada: 1 MB. Limpa a memória depois de fechado: Sim.
Weather: Quantidade usada: 1 MB. Limpa a memória depois de fechado: Sim.
Maps: Quantidade usada: 10 MB. Limpa a memória depois de fechado: Sim.
SimCity: Quantidade usada: 30 MB. Limpa a memória depois de fechado: Sim.
Aí você se pergunta: mas como, Rafa, você conseguiu ver a quantidade de memória usada por cada um desses programas? E eu respondo: simples, é só abrir o Free Memory no instante que o outro programa for fechado, ver quanto ele mostrará de início e diminuir esse número do número que você viu antes. Se a quantidade disponível subir, indica que o programa que foi fechado deu uma limpa na memória que estava usando.
Achei que era um scam pra me tirar 1 dólar do bolso, mas não. Esse tal de Free Memory parece ser bem confiável e cumpre com a sua missão de libertar ao menos 20 MB das garras de processos gananciosos. Se você roda aplicativos mal-programados ou que fazem uso intenso da memória runtime, essa app pode ser útil pra você diminuir a lentidão no seu aparelho ou só descobrir quais apps estão forçando a barra dos megabytes.
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