
Eu sempre tive curiosidade de descobrir como os desenvolvedores de aplicativos para o iPhone publicam suas criações. Hoje tive a chance de entrevistar um deles. Renato Pessanha, analista de sistemas de 33 anos, que também é desenvolvedor das apps Forca Brasil e Gorjeta Brasil, entre outras. Ele tirou alguns minutos do seu dia pra me responder algumas perguntas que mandei por email.
Qual foi seu primeiro contato com um mac e o que te incentivou a ir para
esse lado da área de computadores pessoais?
Meu primeiro contato com um Mac foi em Maio de 2008, já com o Leopard. Comprei a máquina principalmente pelo design e interface. Desde então ainda me impressiono com facilidades e recursos do sistema. A principio tinha receio de ter dificuldade para encontrar aplicativos, mas percebi que em casa eu usava realmente poucas coisas: internet, e-mail, iTunes, planilha eletrônica e gravação de CDs e DVDs, então resolvi arriscar o Mac e não me arrependo. Eu uso computadores desde criança (desde meu primeiro TK-90X) e sempre trabalhei principalmente com PCs, mas o Mac realmente me impressionou.
O que você usa para desenvolver seus aplicativos?
Uso um iMac Aluminum 20’’. Testo as aplicações num iPod Touch 32 GB. Completa o conjunto um Time Capsule para dormir tranquilo. O software utilizado é o Xcode (ambiente de desenvolvimento) disponível para download no site da Apple, onde se desenvolve em Objective-C utilizando o framework Cocoa.
O framework Cocoa é um bicho de sete cabeças? Você enfrentou alguma dificuldade ao desenvolver suas apps?
No começo eu estava preocupado em conhecer as classes de objetos do Cocoa e ainda me atrapalhava um pouco com a sintaxe do Objetice-C. Então foi difícil fazer o primeiro Hello World. Foi aí que resolvi dar importância e estudar os “design patterns” utilizados pelo Cocoa e de repente tudo ficou mais simples. Se o programador já desenvolve em uma linguagem orientada a objetos, a adaptação é relativamente tranquila.
O que você acha da apple permitir vários aplicativos parecidos na AppStore?
Isso é bom ou ruim ao seu ver? Por quê?
Acho que é bom. A concorrência força os preços para baixo e quase sempre você acaba tendo opções gratuitas ou muito baratas para diversos tipos de aplicativos. Algumas pessoas se incomodam com o fato de existirem vários aplicativos parecidos na AppStore, mas vale lembrar que hoje a AppStore é a única fonte [legítima] de aplicativos para iPhone e iPod Touch. E existe uma tendência natural de, quando sai um aplicativo novo, ainda que similar aos já existentes, este traga alguma funcionalidade nova, e isso impulsiona melhorias nos demais.
Como funciona o esquema de envio de aplicativos para a Appstore?
Basicamente o aplicativo é enviado para um servidor e, depois de um período de análise, é liberado ou rejeitado. O que percebo, pelos comentários de outros desenvolvedores, é que os principais motivos de rejeição são aplicações fora dos padrões de design de interface humana e aplicações instáveis.
Em quais países você liberou o download dos seus programas?
Quando um aplicativo é enviado para a AppStore, ele fica disponível para todos os países. Existem certas restrições. Por exemplo, no Brasil, não está disponível a categoria Jogos por questões legais.
Você está trabalhando em alguma app ainda não publicada?
Estou sim, mas sem muito compromisso. Infelizmente tenho poucas horas disponíveis por dia para me dedicar ao desenvolvimento. Faço mais por lazer.
Você acha que vale à pena ter um iPhone no Brasil? Por que?
Acho que depende da situação e utilização de cada um. Eu uso muito pouco celular, por isso preferi o iPod Touch. Pra mim, a vantagem maior do iPhone é o acesso 3G a internet, mas os planos de dados no Brasil são caros,e o aparelho está caro também.
Quem quiser pode acompanhar os lançamentos e atualizações das apps desenvolvidas por Renato em seu blog.